Diretor: Edélcio Vigna.
Elenco: Ana Carolina, Fernando Pessoa, Fernando Sousa e Mary Abrão.

Grupo de Teatro Scrachados

O Grupo Teatro Scrachados (GPS) trabalha o método de atuar focado na pessoa. Herda o despojamento de Grotowski, o distanciamento crítico de Brecht, a violência simbólica de Artaud e não descarta o naturalismo de Stanislavski. Teatro liquidificador. Bem vindo ao nosso mundo.















sábado, 15 de maio de 2010

Primeira análise dos personagens do Labirinto


Na peça “Lobos não entram em Labirinto” há dois personagens protagonistas e um elenco de apoio. Os atores protagonistas, o rei e o bobo-da-corte, mostram-se satisfeitos. Entre os atores do elenco de apoio ocorre uma insatisfação ou uma indiferença. A satisfação tende a explodir. A indiferença ou a alienação acomoda. O que move o drama é a explosão.

No elenco de apoio existe uma gama de personagens com funções diferenciadas. A rainha e a dama-de-companhia carregam uma densidade maior que os outros personagens deste grupo. A insatisfação aparece nas atrizes destas personagens. São elas as rebeldes do elenco. Insurgem contra o texto e contra o autor. Questionam o diretor. Provocam o produtor.

Demonstram um claro entendimento do funcionamento da empresa teatral. “Não está satisfeita, até logo, encontra-se outra atriz”. A rebeldia destas personagens não é revolucionária, pois não é gerada por um questionamento da estrutura da peça, mas por uma necessidade individual de se projetar enquanto atrizes. Mesmo assim, cumprem o papel de denunciar o efeito do capital e sua necessidade de reprodução rápida na arte cênica. Que por ser arte necessita de um tempo diferente do que o da bolsa de valores ou do mercado de capitais, para sua realização.

O personagem do produtor, que detém os direitos autorais da peça, não está preocupado com o destino dos personagens ou a felicidade do elenco, mas com o retorno do capital investido. Representa o conservadorismo. Sua função é manter a situação como está, pois fora deste contexto tudo é ameaçador ao seu investimento.

Há outros personagens de apoio, como o guarda, o mensageiro e “ator”, que são personagens de ligação. Cumprem uma função secundária e não interferem diretamente na trama da peça. São portadores de nuvens carregadas ou não. Sinalizam desdobramentos cênicos que podem ocorrer na peça ou fora dela.

Existem, também, os personagens dos quatro construtores do labirinto, mas vamos analisá-los, assim como os protagonistas, em outro momento.

Escrevendo, discutindo e encenando, vamos compreendendo a peça que escrevemos, discutimos e ensaiamos.

sábado, 8 de maio de 2010

Filosofia do martelo


Hoje o grupo voltou a ensaiar. Tivemos dois sábados horríveis. Nada caminhou. Tive impressão que até mesmo que regredimos.

Já discutimos a narrativa da peça. É a história de um reino decadente que se aprofunda em uma crise mortal, desde o momento em que o rei resolve construir um labirinto. As personagens são aparentemente duplicadas. O rei pode ser o bobo da corte que pode ser o rei. A rainha pode ser a dama de companhia que pode ser a rainha. Uma parte do elenco não está satisfeito com seus personagens, que são mal construídos e os figurinos são horríveis. Por isso, invadem o palco para reclamar com o autor. O drama do reino mistura-se com o dos atores.

O cenário é um trono capenga e uma grande moldura de espelho, que roda pelo palco. A única musica, do grupo alemão Corvus Corax, é no início da peça e o resto são sons produzidos pelos atores por que o produtor não tem dinheiro para contratar um grupo musical ou pagar os direitos autorais cobrados pela ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais).

Bem, hoje começamos a marcar algumas cenas. Isso depois de uma longa conversa sobre o comportamento dos personagens. Quem sofre mais é ator que interpreta o bobo da corte. Marcação, jogo de cena e de corpo, puxados. Não se chega ao malabarismo, mas exige-se uma boa cintura.

O grupo é formado por jovens que nunca freqüentaram um curso de arte dramática e estão absorvidos pelos cursinhos para concursos públicos. Distribui entre eles os livros de Stanislavski, Brecht e Grotowski. Lêem quando dá. Alguns faltam quando se aproxima a data do concurso e outros são como bumerangues, vão e voltam. O grupo é bem amador, mas tem todas as pretensões do mundo.

Procuramos aumentar o grupo, mas nenhum ator/atriz apareceu. Estamos tocando a peça pelo método coringa: uns fazem vários personagens.

Bem, como só vamos estrear em outubro...

DEIXA EU ANDAR DESCALÇA












By Dalva Maria Ferreira

Deixa eu andar descalça nas calçadas,

nas ruelas

e nos becos

que fizeram da infância um lugar mágico.

E mergulhar pelada na água clara

do riacho

que deságua

além das pedras recobertas de taboa.


Deixa eu ter na boca o gosto doce

das goiabas

e das mangas

arrancadas dos quintais circunvizinhos.


E dormir à noite, ouvindo os bichos,
sapos,
grilos,

sonhar
talvez, e não pensar em acordar.

sábado, 24 de abril de 2010

Lobos não entram em Labirintos


Os Scrachados resolveram montar uma peça "Lobos não entram em Labirintos", do diretor do grupo, Edelcio Vigna.

A peça conta história de um reino decadente onde se constrói um labirinto.
A interação entre os personagens - rei, rainha, dama de companhia, bobo da corte e outros - é confusa e beira o irreal.
Os atores tentam alterar o destino dos personagens e algumas histórias pessoais emergem no absurdo da peça.

Os ensaios estão horríveis e os atores faltam muito, mesmo sendo os ensaios somente nos sábados.

O diretor sempre chega na hora, mas a trupe somente uma hora depois. Alguns ligam dando desculpas esfarrapadas e faltam.

Achamos que eles não estão gostando da peça.

Bem, vamos ver como a coisa se processa... e contamos depois.

terça-feira, 16 de março de 2010

Em busca de Atores e Atrizes


Os Scrachados estão começando novas duas montagens para 2010.
Se você gosta e tem vontade de fazer teatro entre em contato conosco.
Não precisa ser formado em artes cênicas ou ter experiência.
Só exigimos pontualidade nos ensaios das tardes de sábados.

Anote nosso email: scrachados@gmail.com

Abs
Del

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Antunes Filho, o maior diretor de teatro

Quem não conhece Antunes, não conhece teatro. Veja um pouco do que ele criou e como criou.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Visão ideológica de Avatar


"Avatar" já faturou mais de um bilhão de dólares e pode ser o recorde de bilheteria de todos os tempos. É um filme cheio de efeitos visuais para impressionar quem gosta de sessão da tarde. Na maravilhosa da floresta encantada dos homens/mulheres azuis esconde-se uma mensagem poderosa: o mundo unimultipolar só possui polaridades porque o poder ainda é uno.

Depois do filme fiquei convencido que o poder da mídia e da imbecilidade constrói os mitos contemporâneos. A trama do filme é de uma pobreza infinita. Dois povos, os da Terra e os do Planeta Pandora, se enfrentam. Os terráqueos, para variar, estão em crise energética e precisam de um minério que só existe em Pandora, onde vivem os Navi (referência à esperança que ficou no fundo quando foi aberta a caixa de Pandora). Para explorar o minério os terráqueos terão que praticamente destruir o planeta.

O herói rapaz paraplégico cheio de amor para dar (seqüela de guerra) e o Vilão, uma mescla de ogro com sargento do BOPE, ambos norte-americanos. Duas faces da mesma moeda. Yin e Yang. É ridículo ver a preocupação do mocinho em salvar os bárbaros azuis. Assim como é cretino ver o vilão vociferar contra os que opõem ao saque mineral. O compreensivo acelera a ira do repressivo. É estopim da destruição.

O cenário não poderia ser mais significativo: um planeta ecológico e espiritualmente equilibrado, habitado harmonicamente por tribos diversas. As criaturas têm relações íntimas com a natureza. Um éden zen-budista. É um gozo sem pecado. “A menor recompensa para aqueles que se encontram no paraíso é um átrio com 80.000 servos e 72 esposas, sobre o qual repousa um domo decorado com pérolas, águas-marinhas e rubis, tão largo quanto a distância entre Al-Jabiyyah e Sana’a”, tal como se lê no Livro de Sunan, volume IV (livro sagrado do Islamismo).

O espírito da natureza é representado por uma árvore milenar - parece uma sequóia gigante – que domina todas as relações. Esta árvore é o alvo do vilão. Ele quer desmatar, passar o trator por cima. Detonar. O herói, que se transveste por programa de realidade virtual em Navi para espionar, vai se convertendo em um aliado dos azuis, encantado pela filha do chefe – tinha que ser a filha do chefe! Será o grande estrategista da luta entre o bem e o mal norte-americano.

É claro que o bem vence, como venceu o Vietnã, Haiti, El Salvador, Afeganistão, Líbano, Panamá, deixando um rastro de destruição e morte. O herói é tão herói que a natureza exótica conspira para ressuscitá-lo. O morto revive como azul para felicidade da filha do chefe, quem no futuro vai substituir. A harmonia está garantida por aquele que veio de fora.

Os norte-americanos esqueceram rápido os “filhos da vergonha”. Os órfãos por rejeição do Vietnã. Os abandonados em tantos outros cantos do planeta quantas foram as invasões. Eles chegam à Pandora não como esta gente mágica que se chamam de ciganos, mas como predadores do futuro. O herói não é cigano, nem negro, nem hispano-americano, nem judeu, é um típico norte-americano de classe média. Daqueles que pregam bandeira na porta de casa, que montam árvore de Natal e adoram futebol americano com hot-dog.

Avatar veio para reafirmar que o mundo é unipolar. Se houver outros mundos, os heróis de Hollywood vão se transformar em um deles e garantir a unipolaridade planetária. Jamais o herói poderia ser criado em Bollywood, apesar de ter superado Hollywood em número de produções cinematográficas e os indianos serem os mais capacitados na criação de programas visuais.

Avatar não poderia ser produzido na Índia porque no hinduísmo “avatar” é a encarnação de uma divindade sob a forma de um homem ou de um animal, Krishna também é azul. Não poderia ter nascido na China, pois Buda obteve a iluminação sob a árvore bodhi, que simboliza todas as árvores. Não poderia ter nascido no Brasil porque já temos Macunaíma e Jesus de Belém. Seu berço teria que ser em uma nação guerreira, que auto-representa todos os países, que assume a missão de guardião da liberdade.

Este filme é dirigido para crianças e adolescentes, que são abduzidos pela fantasia. É dirigido, também, à população de tolos que abundam este planeta.