Elenco: Ana Carolina, Fernando Pessoa, Fernando Sousa e Mary Abrão.
Grupo de Teatro Scrachados
domingo, 30 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Ser ou não Ator?

Antunes Filho, diretor do Centro de Pesquisa Teatral, trabalha com pesquisas, laboratórios, exercícios e direção artística de peças e espetáculos.
Há um caminho a seguir?
Quem faz o caminho é a própria pessoa. Não tem certo ou errado. O que eu costumo dizer para as pessoas que chegam no CPT é que antes de pensar o artista temos que formar o homem, o cidadão, depois vem o artista. E depois, não há ''o'' caminho, há o caminhar. Um ator não tem que estar nem na partida nem na chegada, tem que estar no meio, entre as coisas.
Qual o princípio básico de um ator? O que ele deve desejar em primeiro lugar?
Não sei. Acho que o que é importante dizer é que as pessoas vêm já querendo pegar o texto e sair falando... Mas falando o quê? Para quem? Por quê? De onde? Para quê? Eu posso ter vontade de tocar piano, mas não tenho técnica, não sei tocar. A ''intenção'' não basta. É preciso técnica, sem técnica o ator não sai do lugar. Técnica e cultura. Muita cultura: conhecer música, artes plásticas, literatura, cinema (bom cinema!). Teatro é relação entre as coisas.
Como prepara atores?
Eu não preparo nada. Quem prepara é o processo. O que isso quer dizer? Quer dizer que, no dia-a-dia, resquícios dos ensaios vão ficando, cada dia de ensaio é uma camada, um esboço para o quadro que se pretende pintar. Então, nesse sentido, as pessoas ''se'' preparam, indicamos, apontamos caminhos e abrimos a porta, e a pessoa segue.
Consegue distinguir quem tem alma?
Eu já acertei algumas vezes e errei outras. Às vezes, eu reprovo alguém nos testes para o CPTzinho e a pessoa fica brava, triste, chateada. Mas não é nada pessoal. Se ela for de teatro, nós vamos nos encontrar lá na frente, como já aconteceu muitas vezes para quem eu já havia dito que não dava e deu. E outras vezes, eu já falei sim para pessoas que depois entenderam que não eram de teatro. Então, é muito relativo.
Onde busca referências?
As referências são as coisas mais importantes para qualquer coisa no teatro. Eu sempre peço para os meus atores assistirem a filmes que tenham relação com o que estamos trabalhando, irem às exposições, a lerem obras correlatas com aquilo que se está fazendo. Como é que eu vou fazer alguma coisa sem uma base de onde partir? Não dá! É tudo sempre um diálogo com alguma outra coisa. Mesmo que eu quebre a minha referência inicial. Sem base, não se sai do lugar.
Algumas pessoas desistem da arte da dramaturgia porque não conseguem ganhar dinheiro em um curto prazo.
Como solucionar a questão financeira?
Quando a gente quer, a gente se vira. Trabalha à noite, não dorme, não come. O artista é um inquieto por natureza. O sacrifício no início da carreira faz parte do aprendizado, com a sorte nos ajudando. Ou será que é a gente que faz a sorte?
Por Elisa Duarte
http://contigo.abril.com.br/reportagem/antunes-filho-formacao-ator-348800.shtml
Ser ou não ator?

José Celso Martinzez é criador do Teatro Oficina. O diretor começou a ser visto como referência teatral após o espetáculo O Rei da Vela (1967), de Oswald de Andrade, considerado uma das montagens mais inovadoras do diretor pelos acessórios, cenário e músicas.
Quais as bases para uma pessoa permanecer na carreira de teatro e perseverar na profissão de ator? Há um caminho a seguir?
Não há caminho certo. Ao contrário, é preciso inventar caminhos, impulsionado pelos teus desejos mais secretos, mais proibidos, considerados ''errados'', tabus pela maioria do rebanho. Mas o teatro você faz com outros, não é uma arte solitária. Você precisa comungar, comer e ser comido por pessoas que, por coincidência milagrosa no tempo, você encontra, que queiram partir contigo, na busca de dar pelo teatro mais vida às suas vidas e à vida de todo mundo: o público do seu tempo. É como encontrar muitos amantes, encontrar os parceiros de jogo desta orgia que é o teatro. Para permanecer nesta "roça", é preciso ser antes de tudo "um forte", pois você vai ter que dia a dia, noite a noite, conquistar tua permanência sambando na corda bamba da fatalidade, que são as transformações permanentes da vida e da morte. Estar plugado sempre em todo mundo, mas ir mais além no risco, na beleza, com ginga na arte de teatro, que é a mesma que a de amar e a de viver.
Qual o princípio básico de um ator? O que ele deve desejar em primeiro lugar?
Ator é o que age, atua em si mesmo, no outro, na matéria do mundo. O ator não ''deve'' nada, ele tem é de assumir seu poder humano, o poder do seu corpo, que é quem sabe o que ele, corpo, quer desejar. Atuar é desejar outros corpos do mundo, além das máscaras profissionais, da idade, de classe, dos armários, enfim, além do bem e do mal. Teu próprio desejo vai descobrir - no espelho do desejo dos outros você vai escolher como companhia através da poesia do teatro de hoje e do mais antigo.
Como prepara seus atores?
Preparando-me para merecer encontrar atores. Atuando sobre a coragem do meu instinto para entrar em sintonia com os que mexem comigo, isto é, que atuam comigo. É como o namoro. É difícil explicar por que você ama umas pessoas e não outras. Os atores e atrizes revelam-se como enamorados. A arte do teatro não é diferente da arte da paixão, de produzir e adorar a beleza, da arte de viver intensamente, enfim. Não há coisa mais deliciosa do que a vida de artista, mas custa muito caro. Precisa de muito instinto e felicidade guerreira.
O que pensa grande número de pessoas que buscam a carreira de ator apenas para ficarem famosas?
A arte do ator é a da interpretação da vida a partir do seu corpo, em contato com tudo e todos pelos seus sentidos. O ator que se vende para tornar-se celebridade, ter fama, ficar rico, ter prestígio social, sacrifica muitas vezes sua arte, que é a de interpretar-se e passa a ser interpretado pelos marqueteiros do ibope. Claro que o ator quer e merece ser reconhecido, é justíssimo, mas os que têm o que dizer ao mundo são mais ambiciosos, querem mais que ser celebridade, querem ser eternos, imortais na sua total mortalidade. Estes deixam vestígio de sua passagem no mundo, tatuam o coração da condição humana.
Por Elisa Duarte
http://contigo.abril.com.br/reportagem/jose-celso-martinez-correa-formacao-ator-348803.shtml
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O Labirinto, de Jorge Luis Borges

Não haverá nunca uma porta. Estás dentro
E a fortaleza abarca o universo
E não tem nem anverso nem reverso
Nem externo muro nem secreto centro.
Não esperes que o rigor de teu caminho
Que teimosamente se bifurca em outro,
Que obstinadamente se bifurca em outro,
Tenha fim. É de ferro teu destino
Como teu juiz. Não aguardes a investida
Do touro que é um homem e cuja estranha
Forma plural dá horror à fantasia
De interminável pedra entretecida.
Não existe. Nada esperes. Nem sequer
No negro crepúsculo a fera.
Este é o Labirinto de Creta (Jorge Luis Borges)

Este é o labirinto de Creta.
Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro.
Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações.
Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos.
Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos naquela manhã e continuamos perdidos no tempo, esse outro labirinto.
(Atlas - tradução de Miguel Angel Paladino)
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Entrevista com Wal Mayans
Que tendência do teatro contemporâneo te parece mais interessante?
Na realidade é difícil definir as tendências do teatro contemporâneo, mais difícil ainda é definir os seus componentes que se alteram, se rebelam e voltam a ser contemporâneos. Existem sim muitos teatros novos como contemporâneos, mas respondem apenas ao seu tempo, tendências e geração cultural. Não tem raízes, são apenas trabalhos espetaculares sugeridos pela arte da moda, mas na realidade não deixam nada, não transcendem, passam rápido de moda. São poucos os grupos de teatros preocupados em desenvolver um trabalho próprio com um método, uma técnica, um estilo próprio de trabalho de pedagogia para o ator, de montagem, etc.
Mas, se também estão aqueles que sustentaram sua história e a história através dos tempos, aqueles que em 15, 20, 30 e 40 anos juntos, que contra vento e mares tem defendido sua arte, tem lutado, e também em seu momento se tem isolado, permanecido sempre junto, até que termine a tormenta e continuaram trabalhando para crer neles mesmos projetando sua arte sobre as bases de suas próprias experiências, se tem integrado as mudanças sociais, político-culturais, e, todavia, seguem vivos e seus trabalhos seguem sendo contemporâneos.
Há aqueles rebeldes, heréticos, reformadores do teatro, estes pais fundadores da modernidade (Stanislavski, Meyerhold, Craig, Copeau, Artaud, Brecht y Grotowski) são criadores da transição. Seus espetáculos sacudiram os modos de ver e fazer teatro e tem obrigado a reflexão sobre o presente e passado com uma consciência totalmente distinta.
“A Transição” é uma cultura. Pessoalmente respeito os diretores e mestres teatrais contemporâneos como Eugenio Barba, Peter Brook, Bob Wilson, Ariana Mnouchkine, e outros grandes referenciais. Normalmente não me detenho sobre um teatro de moda, só sobre aquele que tem uma projeção e profissão de um mínimo de
(leia a entrevista na íntegra no blog do Tierra sin Mal, ao lado)